Brasil aposta na Índia e no BRICS, mas ignora diálogo com Trump
Após tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros e indianos, Lula busca aproximação com Modi e reforça laços no BRICS. Mas a estratégia pode ter baixo impacto econômico e alto custo político
Em uma ligação telefônica na semana passada, o presidente Lula conversou com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, buscando uma alternativa ao “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos.

Contexto: O impacto do tarifaço de 50% dos EUA
Na última semana, os Estados Unidos aplicaram tarifas de 50% sobre produtos do Brasil e da Índia, medida que afeta diretamente as exportações e prejudica a competitividade internacional das duas economias.
Em 2024, o Brasil exportou mais de USD 80 bilhões para os EUA, segundo maior parceiro comercial do país. Em vez de buscar um diálogo direto com o governo Donald Trump, o presidente Lula optou por um caminho alternativo: fortalecer relações com a Índia e outros países do BRICS.
Com isso, o presidente brasileiro gera um afastamento comercial e ideológico do segundo maior parceiro comercial do Brasil.
Desdobramentos da Ligação
- Busca por alternativas: Lula e Modi discutiram como ampliar o comércio bilateral para USD 20 bilhões até 2030, incluindo maior cobertura do acordo entre MERCOSUL e Índia. Valor insuficiente para repor os mais de USD 40 bilhões de exportações brasileiras para os Estados Unidos apenas em 2024.
- Visitas agendadas: O presidente Lula confirmou visita de Estado à Índia no início de 2026, enquanto o vice-presidente Alckmin irá em outubro com uma comitiva para tratar cooperação em áreas como comércio, defesa, energia e tecnologia, dando as costas para qualquer negociação ou acordo com os EUA, percorrendo o caminho mais difícil, menos eficiente e menos lógico, em busca de alinhamento ideológico.
- Inclusão tecnológica como alternativa de cooperação: Trocaram informações sobre plataformas de pagamentos virtuais — como o PIX brasileiro e a UPI indiana — reforçando a inovação como componente da integração econômica.
Análise Estratégica: Por que essa estratégia é considerada frágil
- Baixa capacidade de resposta
O Brasil demonstra fragilidade diplomática ao evitar negociações diretas com os EUA, preferindo buscar refúgio em economias emergentes com alcance limitado. - BRICS: um bloco mais simbólico do que efetivo
Desde a sua criação, a ação concreta mais relevante foi a criação de um banco de desenvolvimento — iniciativa importante, mas de baixo impacto global. - Ideologia acima de resultados comerciais
A escolha por evitar conversas com os EUA parece estar mais ligada a alinhamentos ideológicos do que a interesses econômicos objetivos.

Conclusão: Diplomacia Ideológica x Pragmatismo Comercial
O telefonema Lula–Modi pode até reforçar laços com a Índia, mas dificilmente compensará as perdas causadas pelo tarifaço dos EUA. Ao escolher o caminho mais difícil e menos eficiente, o Brasil pode colher resultados frágeis e perder competitividade justamente quando o dólar está em queda — um momento estratégico para ampliar exportações.
Ao priorizar soluções diplomáticas com outros países emergentes, o Brasil perde a oportunidade de se posicionar próximo às grandes economias globais, permanecendo um posição de fragilidade se unindo a nações emergentes com possibilidade de resposta limitada e frágil,
Utilizam como discurso a soberania nacional, mas não deixam de tentar influenciar na soberania de outras nações. Isso foi visto recentemente na visita de Lula à Argentina onde o presidente lula pediu liberdade a ex-presidente Cristina Kirchner. Ocorreu o mesmo na decisão de conceder asilo politico à ex-primeira dama do Peru, Nadine Heredia, condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro, comprometendo o trabalho de combate à corrupção e à impunidade na América Latina.
Em ambos casos, podemos observar toda hipocrisia dessa visão distorcida de mundo, onde defendem o discurso de soberania de uma nação, mas interferem na soberania de outras nações sem piscar.
E você, qual sua opinião?
O Brasil está perdendo oportunidades com os EUA?
Acredita que o Brasil deve abrir mão de acordos com seus maiores parceiros comerciais, como os Estados Unidos, por conta de ideologias e discursos cheios de chavões como “soberania”, “multilateralismo” e outras?
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